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sexta-feira, 18 de junho de 2021

Dez quintetos de partida, Heleniara Amorim Moura

Guerra e paz, Portinari. Detalhe
desmedo
algo cala
desenterra dor
pulsa vida
no reino de Hades

devassa língua
na ferida purulenta
mina o azul
a serra
o lobo na estrada

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Estatística, Kátia Moss

 

Imagem: TextoTerritório

No quarto, cena congelada.  Na mão, copo vazio.  No chão, garrafa quebrada.  No semblante, descanso sereno. Olhos fechados, cabelos alinhados, veste simples, silêncio.  A prova dos nove. 

Noite anterior, oportunidade de zerar tudo antes da transferência. Rejeitou o padre, preferiu o cozinheiro. Tinha com ele boa relação, apesar das refeições com efeitos nauseantes. Era bom ouvinte, habilidade que compensava a mudez.

Após o suspiro profundo, com esforço tentou organizar as palavras.  Sabia pouco sobre os discursos, viveu em função dos algarismos, respirava a promessa de subverter a sequência, roubar a vez, esconder as operações. Apagar os números era o plano maior.  Para subtrair o destino, multiplicou a sorte, aplicou macetes. Foi capturado.Tarde demais, lá estava diante das iniciais do nome e do temido número carimbado no uniforme. 

Dispensou o momento para a última confissão ou o grito de perdão. Não lhe cabia nenhuma das opções, apenas ao amigo cozinheiro o pedido especial da última bebida.

terça-feira, 15 de junho de 2021

A civilização como erro, criação coletiva

A composição A civilização como erro partiu da indignação com os que são excluídos do conjunto da dor que nos abrange e estarrece. A ideia parte de Cynthia Magluta e conjuntamente foi retrabalhada pelos membros da oficina.

Imagem de 加藤 俊 por Pixabay


470.000 pessoas se foram
470.000 pessoas
As ruas clamam
Panelas amassadas bravejam

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Próxima parada: fim do mundo! - Márjori Mendes




Entro no mercado para as compras semanais com a meia culpa de quem sabe que comer no Brasil atual é um privilégio sim. A cada item retirado da prateleira, lembro da minha mãe lendo em voz alta a história de um menino de dezesseis anos que não conseguia dormir por conta da fome que sentia. Perdeu a mãe para a COVID e o pai assassinado pelo roubo de um pão – que não cometera. Passou a se sustentar vendendo picolés, que ninguém compra no frio. Agora estava frio e ele se alimentava há semanas com macarrão cru e um restinho de achocolatado. Meus olhos umedecem e algo aqui dentro embrulha. Desisto de pegar o cappuccino. Não me é essencial.

domingo, 6 de junho de 2021

Yvy e Aba: uma história, Cynthia Magluta

Proposto o tema A civilização como erro, Cynthia Magluta nos brinda com o poema extraído das línguas indígenas reconstruindo a trajeto do erro das civilizações.


terça-feira, 11 de maio de 2021

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063Distopía
Mauricio García Vega, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
 

Convocatória

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  Milo Manara - Enfermeira Envie sua participação sobre o tema "Erotismo e saúde" para o Blog da TextoTerritório. Milo Manara - Nã...