domingo, 12 de janeiro de 2020

Estamos com os Pesquisadores Exonerados crônica de Carlos Augusto Corrêa




( A Casa de Rui Barbosa está de Luto)

Nosso país está vivendo uma época de restrições generalizadas. O atual presidente e sua equipe governamental resolveram uma vez mais incomodar nossa vida cultural e educacional.
Esta semana, .mais uma estocada. Os pesquisadores da Fundação Casa de Rui Barbosa foram injustamente exonerados. O pretexto? Uma  otimização administrativa. Na verdade, todos sabemos, é outro o motivo. Eles querem tirar de postos marcantes todos que não comungam com os ideais conservadores da direita. Com tal exoneração, a produção científica nacional sofre um sensível golpe. No lugar de pesquisadores nossos de nota, exonerados, vão nomear  elementos apadrinhados e sem o devido quilate pra administrarem nossa memória cultural, o que é  um despropósito.
As grandes associações nacionais de pesquisa - também incomodadas com tudo que vem acontecendo desde o início desse nosso governo, se solidarizaram com os pesquisadores demitidos. Em função desse quadro desolador, todos necessitam de comparecer segunda-feira, 13 de Janeiro, a partir das 16:00, à Casa de Rui Barbosa. Uma recomendação simbólica: todos vestidos de preto, demonstrando o sentimento de perda pelo prejuízo que o governo Bolsonaro vem causando a nossa produção cultural.
Já não basta o desprestígio que impôs ao estudo da Filosofia e da Sociologia, como também da Teoria Literária.  Já não basta a perseguição a professores quando quiseram usar estudantes pra delatatem os profissionais do magistério que não pensam como o governo. E agora mais esta... Estamos radicalmente contra as demissões. As páginas de Chão de Praça, sempre abertas ao que é democrático, se solidarizaram com os profissionais exonerados. E deixam de lado o seu tom sóbrio  e reflexivo, com que costuma levar a crônica, pra terem nesse instante um tom de zanga.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

fotografia de cadáveres poema de oswaldo martins



fotografia de cadáveres:

a este o rosto
àquele as mandíbulas rasgadas

um apenas mãos acena ainda
outro as vísceras põe à mostra

chove sobre bagdá

(oswaldo martins – lucidez do oco)



domingo, 5 de janeiro de 2020

Sou Patriota À Minha Maneira, crônica de Carlos Augusto Corrêa

Sou Patriota À Minha Maneira

Carlos Augusto Corrêa


Enfim, 2020. Todo ano, a velha expectativa. Como não desejar o melhor pra essa nação que em 1948 me pariu, ainda sob os efeitos da Grande Guerra? Sou também brasileiro até dizer basta. Os que me conhecem bem o sabem.

Alguns outros brasileiros me solicitaram escrevesse algo que sonharia pro Brasil. Aceitei, mas com uma condição: de mostrar só um pouquinho desse meu amor ao país.

Entrei em meu quarto, pus logo música na internet. Puxei logo, logo o "Pra não dizer que não falei das flores", do Vandré. E pra quê ? Pra aumentar esse clima de amor à pátria que é algo que me toca, antes até do triste golpe de 64. Não é o mesmo amor daqueles que vivem batendo no peito com elogiosas declarações à pátria amada.

sábado, 4 de janeiro de 2020

As armas e os barões, poema de Elesbão Ribeiro

As armas e os barões

Elesbão Ribeiro



as armas e os barões grileiros
barões grileiros da terra
grileiros do pasto
grileiros da bala
barões grileiros do poder executivo
do poder legislativo
do poder judiciário
barões  grileiros das igrejas
grileiros das escolas
grileiros da  praça
armas e  barões
que me ajustam a mordaça


elesbão ribeiro
04/01/20

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Não sei se meu pai bebia, poema de Cândido Rolim

Não sei se meu pai bebia

Cândido Rolim


Edvard Munch

Não sei se meu pai bebia
pelos seus mortos conhecidos
como hoje eu faço

Só sei que por várias vezes o vi
mudar de tez e vagamente dizer:
que lhe seja leve a terra