Por que escrevo?
Carlos Augusto Corrêa
Crônica publicada na coluna "Chão de praça". Com ela o autor nos responde à provocação Por que escrevo?, nova seção do Blog.
Já andei esses anos todos conversando com escritores de todas as tendências, e a maioria concorda em um ponto. Mas qual? O ato obsessivo de escrever. Até os vinte e tantos anos eu escrevia mais movido pelo prazer e pelo sonho: a reflexão tinha igualmente a sua importância, claro. Acontece que, novinho, este sonho e prazer eram muito fortes e eu não sentia bem o lado obsessivo de escrever. Escrevia constantemente, embora sem essa consciência estar muito aflorada.
Fui chegando aos trinta e tantos anos, quarenta, e a reflexão, a consciência desse ato obsessivo foi aumentando e aí notei que o ato da escrita permanente era uma necessidade lá do íntimo de mim, não sei se do coração, do aparelho digestivo (do urinário jamais). Porém vinha de meu mais fundo dentro.
Ontem, bem ontem, nos anos 90, já madurinho da silva, resolvi escrever uma crônica por dia, vejam só!