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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Por que escrevo? Alexandre Faria

Por que escrevo?


Alexandre Faria




Escrevo porque a ilusão precisa de desilusão. Há que se discernir, em meio à canalha, quando a chantagem se vende como lealdade. Escrevo porque sempre houve, há, haverá, corpos torturados em porões, em presídios, em tesourarias, em escolas, hospitais, templos, em famílias e em mentes imaginativas que aceitam, como realidade, o que está dado. Escrevo porque a realidade é fruto da mais absoluta imaginação. E os cães engravatados vão continuar apostando nas torturas para defender seu mundo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Por que escrevo? Cesar Cardoso

Por que escrevo?

Cesar Cardoso



Terras que inventei

Me encantava com as histórias do avô. Na escola descobri uns objetos de mais ou menos um palmo de altura. Livros. Cheios de histórias como as do avô. Virei leitor, descobrindo mundos, meus e outros. Lá pelos 17 anos, inventar mundos também. Escrever. Tinha uma pedra no meio do caminho do vestibular. O professor de literatura não era o tipo do sujeito inexistente. Me mostrou a descoberta das coisas que nunca vi. Desde então passei a vida à toa, à toa. Fui conhecendo quem tivesse levado porrada e quisesse passar além do Bojador. Para chegar às tropicálias, bananas ao vento e a todas as horas do fim. E sigo descobrindo que só o incomunicável comunica. 

Escrever: que as terras que eu não inventei me sejam leves.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Por que escrevo? Carlos Augusto Corrêa


Por que escrevo?


Carlos Augusto Corrêa




Versão exclusiva para o Blog da TextoTerritório.



São muitas as razões por que um profissional da palavra escreve. A primeira, no meu caso, foram os pequenos problemas da infância. Lembro que por diversas vezes pegava o papel e ensaiava na pré-adolescência as primeiras manifestações de poesia e prosa. Isso mesmo, por volta de 11, 12 anitos.
Escrevia umas coisas miúdas, frases em prosa, outras em poesia. Eram protestos contra a surra da mãe ou contra quem me proibira de chupar bala. E outros protestos. Detalhe: eu já corria pro papel traduzindo a revolta por palavras.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Escrever está nas veias

Por que escrevo?

Carlos Augusto Corrêa





Crônica publicada na coluna "Chão de praça". Com ela o autor nos responde à provocação Por que escrevo?, nova seção do Blog.


Já andei esses anos todos conversando com escritores de todas as tendências, e a maioria concorda em um ponto. Mas qual? O ato obsessivo de escrever. Até os vinte e tantos anos eu escrevia mais movido pelo prazer e pelo sonho: a reflexão tinha igualmente a sua importância, claro. Acontece que, novinho, este sonho e prazer eram muito fortes e eu não sentia bem o lado obsessivo de escrever. Escrevia constantemente, embora sem essa consciência estar muito aflorada.

Fui chegando aos trinta e tantos anos, quarenta, e a reflexão, a consciência desse ato obsessivo foi aumentando e aí notei que o ato da escrita permanente era uma necessidade lá do íntimo de mim, não sei se do coração, do aparelho digestivo (do urinário jamais). Porém vinha de meu mais fundo dentro.

Ontem, bem ontem, nos anos 90, já madurinho da silva, resolvi escrever uma crônica por dia, vejam só!

Convocatória

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