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domingo, 19 de dezembro de 2021

O Triste Excretor - Carlos Augusto Corrêa




Recebi uma vez uma crônica de um militar que (coincidência...) era um capitão. Ela me foi entregue por um subordinado seu, entusiasmado com o texto.

Gente, li a crônica que fazia um elogio emocionado, chocho e mal-ajambrado à "doce e adorada pátria" que de pronto me despertou o riso. Este capitão não era nem podia ser um escritor, senão um triste excretor de ideias batidas.

*
Entrei numa seção de livros de um Shopping e pedi um livro de poemas pra adolescência. O funcionário me trouxe um livreto de textos poéticos elogiando o Brasil.

Olhei uma, duas páginas e dispensei aquilo. Eu não queria aquele amontoado de ideias velhas e rígidas que abafam a invenção do adolescente. Poesia cívica? Meu neto não merece isso. E qualquer adolescente também.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Os Apelidos que me Incomodam - Carlos Augusto Corrêa

General da banda - Blecaute

O povo, sobretudo quem trabalha no comércio, costuma chamar os frequentadores com nomes de altos cargos. Eu, assalariado mais do que habitual nas ruas do Rio, já fui, como muitos, chamado de chefia: este é antigo, bem vovô mesmo, é que ainda hoje a gente de mais idade fala.

Já me chamaram de comandante, de chefão, de presidente (imaginem, foi no tempo em que eu frequentava uma biboca ali do Passeio Público). Um funcionário de um bar do Lido se achava amigo quando se dirigia a mim como general. Nem da banda eu era, o Blecaute sabia disso. Já o Bigode, um mestre no deboche carioca, dizia ser eu marechal. Aquilo, no fundo, me fazia mal, porque me lembrava de um militar, ditador no passado. Na boca de outros, fui tenente, major. E quando me viam com cara de sargento? Dios meu...

Claro que, por trás de todo esse chamamento, a gente percebe o humor e mais do que isso, a necessidade de agradar. Reação típica não apenas do carioca.

Outro dia fui tomar café em um barzinho da Presidente Vargas onde bebo há anos, e um amigo, mal me viu, soltou um e aí, capitão? Puxa, pensei, já não bastam tenente, major, sargento, general e o mais elevado: marechal? Agora me vêm com um epíteto desses! Capitão... capitão... Será que estaria se lembrando do Capitão Marvel, dos antigos quadrinhos? Ou do Capitão América? Não tenho nenhum traço que faça lembrar a eles, nem do Capitão Haddock, das Aventuras de Tintim. Não é possível que esse amigo, mais ou menos de minha época, tenha achado que me parecia com o Capitão Gancho?
 
Ora, não gosto de ser associado a coisa ruim, a alguém perverso, preconceituoso ou a algo semelhante. Sinceramente não gostei. E ainda bem que foi só naquele dia. Capitão é palavra que, além de sugerir hoje perversidade, me faz sentir mau cheiro, tanto quanto marechal.

domingo, 24 de outubro de 2021

O Chorinho, Carlos Augusto Corrêa

Chorinho. Portaria. 1942

Mas que bom! Mal entro no Face e escuto um chorinho de Nazareth. Bato palmas pra ele e pra todo chorão que me acordar numa manhã de sexta e mostrar que meu país tem uma raiz tão bonita. 

Ontem, antes de dormir,  ouvia Billie Holiday cantando The man I love. E nesta sexta que promete um pouco mais de sol, ouvir Nazareth dá um entusiasmo, tanto quanto ouvir Pixinguinha. Quem me deu há pouco esse prazer foi o Choro das Três, que voltou a mil e está reprisando a live de quinta-feira.

Vou logo ver se ouço Jacob do Bandolim e Pixinguinha. Amo ouvir o que vem de nossa história musical. O choro nasceu aqui em minha cidade. Não sei se é por isso, mas, ao ouvir, parece que volto a meus doze, treze anos lá em Vila Isabel quando meu pai me punha no sofá pra assistir na tv ao show do Altamiro Carrilho. Ali fui aprendendo a abraçar esse ritmo.

domingo, 17 de outubro de 2021

Lição de Permanência, Carlos Augusto Corrêa



Há mais de cinco décadas este mestre abraça uma sala de aula onde aprendeu primeiro de tudo a se transformar. Sim, a se transformar e a transformar-se envolvendo-se dia a dia com a paixão maior de sua vida: a escola.

Aos setenta e dois anos estaria ele , de fato, velho para o magistério? Tenho ouvido muita chacota de quem o acha cansado até pra segurar um pedaço de giz. Mas, não sei, tem qualquer coisa no branco de seus cabelos que diz o contrário.Diz que em suas mãos o giz se transforma constantemente em fonte de luz.

domingo, 3 de outubro de 2021

A Vida Sem Temor - Carlos Augusto Corrêa




Não posso entender quem se sente inseguro bastante antes de dar um salto na vida, como se existir fosse feito de incertos ensaios até você pôr em prática o definitivo.

É justo considerar bem algo, antes de se tomar uma decisão. Considerar primeiro pra agir depois. Concordo. Praticar com determinação é a consequência mais feliz de tudo quanto foi considerado.

Vai deixar pra daqui a pouco? Vai pensar mais demoradamente do que o normal? Vai esperar bastante pela opinião de alguém podendo fazer antes? Isto são reações de quem tem medo. Não. Quero a vida sem temor.

A existência é pra valer. A qualquer instante vem a ceifa da morte e pronto... No filme "A Teoria de Tudo", Stephen Hawking, tendo uma doença sem cura, não abandonou sua vontade única de viver, insistiu, lutou, até conseguir vencer em sua atividade, apesar da doença. Ele investiu na felicidade de cavar a própria história.

A vida não admite frágeis ensaios antes de se tomar uma atitude. A vida radical exige algo mais forte. É pegá-la pelo braço e criar condições pra desempenhar a sua biografia.

domingo, 19 de setembro de 2021

A Experiência do Cheiro, Carlos Augusto Corrêa

 


Fui reativar uma página do Facebook, parada desde 2016. E me tocou essa atitude. Mal cheguei,  topei com fotos de quatro anos antes. Uma de Carolina de Jesus, adorei rever sua expressão facial tão simples e ao mesmo tempo me lembrar de sua criatividade que comoveu o país.

Fui passando as páginas e deparei com uma foto de Elke Maravilha, aos 16 anos. Mulher de uma beleza, marcada pela sensualidade e uma inteligência agílima. Mais adiante visitei textos meus sobre a discriminação, contra o racismo, a população LGBT e os intoleráveis pedófilos.

Surpresa maior foi ter reencontrado o que escrevi quando ainda engatinhava no manejo do Face. 2013,14, tempo em que só sabia executar a proeza de digitar.

Esses meus olhos movidos também por uma emoção que brota fácil estão à cata de uma crônica escrita em 2012. Quero revê-la pra sentir cheiro de origem. Ali, o início. Esse cheiro, a propósito, me atiça desde criança e que já a caminho da maturidade o senti com mais força. Sim, foi quando num julho friorento de 86 meu velho, já inconsciente de um AVC, partiu.

domingo, 29 de agosto de 2021

Marlene de Castro Correia - Presente! Carlos Augusto Corrêa



Já havia escrito três crônicas hoje quando me surpreendo, lendo o texto de mestre Carlos Eduardo Uchoa, informando sobre o passamento de Marlene de Castro Correia. 

De imediato me sentei ante a tela em branco pra escrever sobre essa grande professora, ensaísta, crítica das mais abalizadas da literatura brasileira. Foi com um artigo seu em um livro "Português para o Vestibular" que passei a entender melhor a poesia de Drummond. E olhe que àquela altura já tinha uma visão bem abrangente do poeta de Itabira. Dissequei seu artigo, sublinhei-o todo e seu texto valeu por centenas de livros estudando o poeta. E por quê? Pela síntese que Marlene faz.

Sempre a vi muito compenetrada na faculdade. De uma correção em seus julgamentos. Cheguei a conversar com ela muitas vezes pelos corredores da faculdade e sua seriedade me deixava seguro pra absorver suas lições.

Existem professores que ultrapassam as fronteiras de sua área de atuação. Mattoso Câmara, Carlos Eduardo Uchoa, Luiz Cesar Saraiva Feijó, Augusto Meyer, Luis Felipe Ribeiro. E como me esquecer de Samira Nahid de Mesquita? Aliás, grande amiga de Marlene.

Pois a Professora Marlene de Castro Correia foi, é e continuará sendo uma dessas que se encontra imortalizada na memória das tantas gerações que formou.

domingo, 15 de agosto de 2021

Fragmento de Terra Presente, Carlos Augusto Corrêa


Sexta-feira:
a poesia lançou-se contra um cano
de descarga.
Ali houve descarga desse cano
fumaça entrou pela goela do moço
que um Volks (quanto berror!) arrastou
até carbonizá-lo.
Ainda emudecendo, a poesia
rejeita o mutilador.
Ela expele silêncio. Sarcasma.
A poesia bate em panelas,
e apesar do jeito de Gandhi
seu silêncio infecciona.
Os que arrastaram o moço até carbonizá-lo
saibam:
a poesia os mata. E sepultando-os no poema
ressuscita a ele -
o Stuart ou Angel, anjo em frangalhos,
que a palavra retoma
a caminho
de um sábado sem repouso.
 
pp.18 e 19
...............................................................................
Este foi um poema e um fragmento do livro sobre um fato que chocou a minha geração. O companheiro Stuart Angel fora brutalmente assassinado numa horrenda tortura, quando o puseram com a boca presa contra um cano de descarga e ele morreu sufocado e envenenado pela descarga do cano. Foi um dos acontecimentos mais brutais da ditadura brasileira dos anos 70.

domingo, 1 de agosto de 2021

A Poesia se Levanta - Carlos Augusto Corrêa


Nosso país vive um momento de crise aguda. Quem não sente os efeitos nocivos dela? Mas ainda bem que há resistência. A poesia é uma das forças que nessas horas não deixa a gente sem janelas abertas. 

O brasileiro, o francês, o vietnamita, o povo que seja, enfim, está e estará sempre acompanhado dela. Onde a poesia põe as suas mãos amadas e iradas, a consciência de quem está se sentindo pisado se levanta. 

Por que mais uma vez digo isto? Porque os poetas, como há tempos não vejo por aqui, estão se reunindo, não só por motivos estéticos, mas pra intimamente também se reerguerem do caos político, econômico, social. Há núcleos de poetas se manifestando em todo o país. Menciono aqui dois: o da editora Texto Território e o da Estação das Letras. Ambos reconhecidamente grupos genuínos de poesia ativa e lúcida.

Pois, companheiros, que todos continuem se manifestando. E continuem. Estendo essa conversa de sul a norte, agrade ou não a quem possa. É hora, sim, de dizer, revigorando o velho pensamento: 

- Trabalhadores da Palavra de Todo o País, 

                                Uni-Vos!

domingo, 18 de julho de 2021

Meu Terra Presente à Vista, Carlos Augusto Corrêa

Na crônica de hoje, Carlos Augusto Corrêa relembra a história da primeira edição de Terra presente, livro que a TextoTerritório lança no mês de julho. O título já está disponível no site, inclusive com promoção. Clique aqui e reserve o seu.

Capa, com foto de Carolina Bezerra

Desde 1998, vinha pensando em reeditar Terra Presente, livro que me é bem caro. Muito: ele tem um bom pedaço de minha história de vida. Foi por causa dos anos duros de ditadura, bem como das ditaduras na América Latina, que o escrevi.

domingo, 4 de julho de 2021

Nós é que Somos Verde-Amarelos... vocês NÃO! - Carlos Augusto Corrêa

 
Essa estória de baterem no peito e dizerem que são verde-amarelos não convence. Fazer de tudo pela pátria amada, ficar todo verde-amarelado em passeata parecendo um papagaio humano, isso fica meio abstrato, até, neste último caso, engraçado. Palhacesco. Pátria amada pra nós é outra coisa. É a pátria de uma gente chamada Povo. 

Imagem de Thomas B. por Pixabay

O povo é pátria amada. É o brasileiro. Pátria amada são esses trabalhadores que você vê cedinho lotando o ônibus a caminho da luta. Pátria amada é você ver a Cinelândia com gente lutando por seus direitos.

domingo, 13 de junho de 2021

Uma Vergonha sem Limites, Carlos Augusto Corrês

Um ano depois de tanto receio e cuidados pra não se contrair COVID, eu queria ver nossa gente andando mais despreocupada. Queria saber que toda ou quase toda família nacional estaria vacinada, sendo um dos países exemplo pra medicina internacional.

Natália Pasternak e Claudio Maierovitch

E o que ouço? Ouço de Natália Pasternak e Claudio Maierovitch na CPI da Pandemia que, se o Brasil tivesse levado a sério os cuidados a serem tomados na luta contra essa doença - como compra de imunizantes, isolamento social e campanhas de comunicacão -, cerca de 375 mil doentes não teriam conhecido a morte.

Brasileiro algum, seja nacionalista, não nacionalista, socialista, existencialista e outros istas,gostaria de ouvir sobre esse desleixo das autoridades. Sobe na gente um misto de irritação, desespero e, sobretudo, uma vergonha sem limites que devemos denunciar onde estivermos, inclusive em período eleitoral.

domingo, 6 de junho de 2021

Repressão a um Movimento Pacífico, Carlos Augusto Corrêa

Laís Castro Trajano: Fantasia de Caboclo de Lança, Recife

As oposições, no último dia 29, fizeram no país um movimento pacífico mostrando a seu povo o profundo descontentamento com esse governo desencontrado. Contudo o presidente uma vez mais mandou reprimir a manifestação. Mostrou que seu governo admite um só pensamento. O pensamento de uma direita que não tem acertado e manda descer o cassetete e outros recursos toda vez que a família nacional aponta os problemas da nação.

sábado, 8 de maio de 2021

Crônica Rebelde, Carlos Augusto Corrêa

 
Cena do filme Laranja mecânica, de Stanley Kubrick

 
Há hora em que ponho de lado o humor e falo com mais coração. Imaginem, essa gente que se reuniu sábado, 1º de maio, pede de volta uma ditadura que nada tem com a vocação democrática desse país. São pessoas que não experimentaram a alegria e o alívio que sentimos quando esse povo conseguiu derrubar a coronelada em 85 e entrou na Nova República. Lembro a Rua da Carioca como ficou. Era sorriso de um canto a outro. Armaram uma mesa gigantesca com comida e bebida pros presentes. Era a volta da democracia.

Vocês que desejam outra vez a sociedade militarizada não gostam da necessidade de pensar e debater. Querem um só pensamento, querem que se respire um clima opressivo, que se escreva uma lição apenas, que se circule por caminhos previamente executados. E nossa gente só terá direito àquilo que a direita  considera direito. 

Por que adoram tanto o silêncio social? Aquele silêncio que me obriga, obriga a ele e a tantos outros a agirem como os de cima exigem. Isto é humano? A democracia que pregam é uma democracia de asas rompidas, de bandeirolas verde-amarelas tremulando em silêncio e sobretudo aplaudida pela cúpula armada.

Quem aspira hoje a uma ditadura não aceita que somos o país de Gregório de Matos, de Castro Alves, de Cruz e Sousa. Não aceita a arte redentora de Graciliano e Drummond, de Guimarães e Clarice. Não sente que tivemos um Prestes e Gregório Bezerra, tivemos Tiradentes e outros tantos.Todos, todos que lutaram pela abertura da consciência pessoal e coletiva e jamais quiseram viver subjugados.

Não, companheiros, quem vive pela democracia jamais gosta de viver pela metade. De viver partido.

domingo, 2 de maio de 2021

Professor Injustamente Demitido, Carlos Augusto Corrêa

Saudade, já dizia uma música do tempo de meus pais, traz tanto amargor. Agora, mais amargor ainda é o que produz a censura, quando ela impede nossa liberdade de ação democrática. Há semanas, um professor de uma escola de São José dos Campos, a Poliedro, foi demitido, e por um motivo que não reputo grave. Ele não roubou, não cobiçou a mulher do outro, não pedofilou nem agrediu fisicamente ou entrou atirando a esmo. Apenas fez uma crítica ao atual presidente. 

Imagem de OpenClipart-Vectors em Pixabay

domingo, 25 de abril de 2021

Carlos Augusto Corrêa - De Olho na Poesia

Hoje, Carlos Augusto Corrêa comenta dois poemas inéditos de Oswaldo Martins.


oswaldo martins, um autor TextoTerritório
livros na promoção no site da editora

Acordei hoje, como sempre, com uma vontade canina de ler poesia. Comigo não é novidade. Decidi transcrever aqui dois poemas inéditos de Oswaldo Martins, que me interessaram sobremaneira, primeiro por pertencerem a seu novo livro ainda em preparo, o Desimitações, segundo pelo acabamento maduro de ambos.

Oswaldo Martins sempre fez um poema muito bem executado. Poesia superelaborada. Você tem de estar duas vezes acordado pra captar a força de seu texto. 

Dessa vez experimentei algo diferente na leitura desses poemas. Achei Oswaldo bem mais veloz ainda, com mais irreverência, revivendo a poesia. Como assim? Ele traz pro presente Camões e Alvares de Azevedo. Aliás, estes são também os títulos dos poemas. Posso garantir que estes poemas estão à altura, por exemplo, da poesia de Ana Cristina Cesar e podem integrar qualquer das antologias poéticas a partir de agora. Não devem nada a minha geração, a de 70. Peço aos poetas de gerações mais antigas que leiam com atenção as duas peças e tirem suas conclusões sobre esse poeta dos anos 90.

camões

das parcas e dos cantões cativos
que da puta madre lusitana
de almas minhas gentis tão cedo
de belém partiste esforçado
nuns versinhos tolos de brado
a caolha gente como em fado
cantaste, velho aedo, as armas
afiadas e prontas do massacre.

esperam-te em angolas, brasis,
nas moçambiques ou moçárabes
terras para comerem tua língua
com línguas de veneno e fel
até que do lábio soçobre o palor
da morte lenta e despistada
de ti, vate, sem língua mais
outra que a da velha lápide.

alvares azevedo

s'eu morresse amanhã muitas amantes viriam
carpir meu corpo, chorar pela endurecida
pica, a bela alícia na fronte ressequida
do defunto a mão deixaria pendente e fria.

os comichões que outrora aqui e ali sentira
haveriam de levar a impudente lia
a tocar displicente, como se aos antúrios
arrumasse, o mastro para sempre inútil

e pendente, de saudade morreria hipácia,
a grande puta, a vadia louca, talvez
flertasse com quem ao morto teso viesse

visitar, diria, então, que sol! que céu azul!
com desvario, uma cristina se achegaria
para que o defunto antes da ripa se risse

domingo, 18 de abril de 2021

Militarizar o País!? Jamais, Carlos Augusto Corrêa

A crônica dominical de Carlos Augusto Corrêa também incorpora, hoje, o tema Liberdade sempre, vamos à reflexão do cronista carioca.


Tiradentes, Candido Portinari. Foto por André Deak.
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda. No Salão de Atos.


Tenho, desde o início desse governo, dormido e acordado com uma ideia incômoda. A de que desejam que nosso país seja dominado por uma elite militar. Difícil imaginar de novo vivermos sob um silêncio social forçado. Não vivi o autoritarismo de 37. Porém, já adolescente, experimentei a triste ditadura de 64. Como sou filho de um pai democrata, aprendi a rejeitar toda forma de militarismo no poder.

Meu pai (uma vez já me referi a isso) falava baixo nomes como Hitler, Mussolini, Plínio Salgado pra que não me influenciasse por esses monstros da agressão ao homem. Foi o que fiz mais adiante com os nomes de medici, geisel, castelo branco e o restalho.

domingo, 11 de abril de 2021

Vergonha? Só Naquelas horas - Carlos Augusto Corrêa

 

 Muro da vergonha. Noir, 1986



Quantas vezes já declarei meu amor a esta pátria. Este é o país de Machado e Drummond, que nos deu um Niemeyer e Darcy Ribeiro. Como omitir um Portinari, um Aleijadinho? E então vou também de Zumbi dos Palmares, do negro, do índio, do branco, dessa mistura toda a que se junta o samba. Este, o país que também se orgulha de ter criado a capoeira, nossa luta nacional. 

domingo, 4 de abril de 2021

Os Admiráveis/Os Detestáveis - Carlos Augusto Corrêa

 

Exército de Terracota
Por Jmhullot - Obra do próprio CC BY 3.0
https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=40128526

Um de meus sobrinhos, ainda adolescente, me indagou sobre personalidades do século XX. Citei PORTINARI, NIEMEYER, DRUMMOND, DARCI RIBEIRO, PRESTES e aproveitei pra lembrar o nome de MACHADO lá no século XIX.

Mocinho, querendo me surpreender, pediu que citasse alguns de baixíssima reputação. Ora, não me intimidei, fiz questão, ao lado dos grandes MACHADO, DRUMMOND, NIEMEYER..., mencionar cinco que, entre outros, estão certamente no LIXO da história: geisel, medici, costa e silva, castelo branco, carlos ustra. E CHEGA!!!!!!

domingo, 28 de março de 2021

Bandeira, o Poeta de Nós todos, Carlos Augusto Corrêa

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Homenagem_a_Manuel_Bandeira_1.jpg


Outro dia vi uns meninos encardidos e magrinhos passando rápido ali pela Sala Cecília Meireles. Estavam simplesmente felizes, bem soltos em sua miséria extrema. De imediato me lembrei dos Meninos Carvoeiros, de Bandeira. No poema, depois que os carvoeirinhos entregam os sacos de carvão, eles voltam, escreve o poeta, e vêm "mordendo um pão encarvoado...| apostando corrida, dançando, bamboleando..." O poeta os chama de espantalhos desamparados. 

Aproximei aqui os moleques da Lapa com os meninos carvoeiros pra mostrar como Manuel Bandeira está próximo de nós. Como ele falou de um cotidiano nosso, como sua arte continua presente.

Convocatória

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